domingo, 2 de outubro de 2016

por trás das voltas desse laço
três ponteiros sorrindo às idas
desse tempo máximo
são cinco meses de meta mista
desde trinta e tantos tons de dias
castanhos em evolução
miragem sem insolação
decerto do deserto de sim ou não
concretos

é meu peito que frente ao seu
bate mecânico
só bomba bomba bomba
bomba bomba
e segue sangue sem cadência
batidas compostas
ansiando o velho um dia dito quadril
em diminuto quadrado inho
me segue a lombra lombra
lombra lombra lombra
do não haver espaço tempo fértil
pra se causar ou demorar curtindo

é muito riso pra pouco dente
à exceção de quando esquece a marra cheia
e desliza à graça dos cartuchos tímidos
denominados pente
é preguiça cômica chegando às crônicas
desse olhar dizente
às vésperas do banquete
promessas de deleite
talheres por enfeite
teu sorrir dissimulado
cravando agudos
versos roça dentes
que tu pagou pra ver ê ê ê ê ê ê

duas línguas em duas bocas
poucas dúvidas no caminho
era ninho o que faltava
pra essas rimas passarinho
tanto gosto em pouco gosto
tanta guerra em neutro rosto
tanto caso por acaso
se diz: causo
eu descoiso

tan-tanto beat batidão
fun-funk-funk frevo axé
po-por demais querer aqui
nesse swing bem me quer
frente à frente
carnaval

meu peito escola de samba
abrindo bélico
à caminho da apoteose

nossa nota nove

Eduardo Dias

sábado, 27 de agosto de 2016

longe da fotogenia
cabe sorrindo nosso amor
melhor
gargalha
sem ligar pra teia que não vive a bordo
na nossa rede não habita pesca, somente sonos
dois
é no navegar que nos fazemos barco

nosso amor de doses/goles
destila verdades soltas
cabe num brega
nessa moda do sofrer
nessa troca de dvd
nesse ferir de peito à alma
do primário: ser ou não ser?
é
demais groove
pra não sarrar noir. num é?

nosso amor vermelho
borrando sofás e camas
branco azul pastel tapete
fios no assoalho
desenhos no chão
pay-per-view gravado
no reboco das  paredes

nosso amor de volta e volta
descobriu há pouco o: eu também
e repete com olhos
todos os fonemas dum eu te amo
guardado pro inesperado instante exato do:
eu não sei

outra vez recém nascido
nosso amor incubadora
desfruta
nova gestação

Eduardo Dias
entenda que ao seu lado
todo tempo pouco para
e passa a ser instante
recém segundos de eternidade
a cada passo desse olhar gigante
(sobre nudes, ensaios, ciumes e cinco meses)

Eduardo Dias

domingo, 7 de agosto de 2016

(sobre significâncias)

são 3 centenas e mais um muito
alocados em 12 caixas
pra 12 endereços
de bairros próximos
vizinhos de parede
que se conversam durante a laje
in festa
sob trocas de latinhas
queimando em brasa
a razão já meio alta
dando chance aos olhos
simples porque são
nem sempre o que se diz: é

eu sou plano
certo feito virgem
mas nem sempre tal qual libra
um câncer aquoso de tão benigno
eterno vamos!? que nem flecha de sagitário

conversa animada regada a francos tapas
prato cheio
gozo pós refeição
fome de quero mais

um vaidoso rei flexo
aprendendo sangue frio
antes da última batalha
prestes a se notar perdido
peixe só em redoma sem limites
chamada mundo

depois dos 30 ainda somos os mesmos
a vista

é quem muda

Eduardo Dias

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

(alagar de olhos)


(chá de domingo)


(miopia)


(cachos)


(nuvem no olhar)


(dormir ocaso)


(casca)


(celulite e estria)


(maior de grande)


(posso buscar?)


(dividir domingos)


(criativas)


(uns dias)


(flerte)


(domingo)


(esteja)


(mãe)


(expectativa)


(abraço)


(amor e sexo)


(segunda vista)


(se e senão)


(prato cheio)


(necrofilia)


(mosaico)


(ressaca)


(sete mares)


(oscar)


(alternativa)


(levado)


(vertigem)


(back to past)


(ímpar)

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

(sobre pelo menos ser mais legal assim)


(sobre rimas pobres com dizeres ricos)

(sobre noites de um verão qualquer)


(sobre amores meio pagãos)


(sobre os crushs da vida)


(sobre tamanhos)


(sobre verão, vem verão, vem verão)

(sobre tons sudestes e beijos nordestes)


(sobre leituras superficiais)